Programa do governo causa polêmica entre estudantes de Medicina

Desde que foi implantado o programa Mais Médicos tem levantado discussões, o formato da “importação” de médicos de outros países foi alvo de duras críticas de associações representativas da categoria, sociedade civil e estudantes da área da saúde. Para a estudante de Medicina Patrícia Oliveira, o Brasil é um país que precisa mesmo de médicos em algumas regiões, principalmente em lugares mais afastados, porém o programa do jeito que foi feito está muito errado. “Esses médicos entraram sem critério nenhum, não sabemos a qualificação deles e ainda estão vindo para a região sudeste, onde é maior o número de médicos”.

O estudante de Medicina e acadêmico do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ) Marcos Campos, afirmou que o Mais Médicos é mais um programa eleitoral que assistencial. “O governo atual fechou 42 mil leitos nos últimos anos, os hospitais universitários sofrem a pior crise da história e o atendimento em saúde nunca foi tão mal avaliado. A solução para o caos na saúde demoraria muito tempo para se mostrar nítida para a população, então foi mais fácil anunciar que a culpa é a falta de médicos e trazer profissionais sem comprovação dos seus diplomas, que estão cometendo muitos erros já denunciados aos conselheiros de medicina”.

Para Marcos Campos, inaugurar médicos é mais barato que inaugurar hospitais, mas infelizmente isso não traz saúde para a população, “médico sem equipe, sem enfermeiro, dentista, fisioterapeuta, sem luvas, sem remédios, sem centro cirúrgico não resolve nada”.

Em defesa dos médicos estrangeiros, a médica cubana Maria Josefa Herrera, formada há 25 anos, disse que o objetivo dela aqui no Brasil é oferecer um atendimento de qualidade a toda população e ajudar os que precisam. “Já trabalhei em outros países como África e Guatemala, lá contribui com meus conhecimentos para exercer a minha profissão e fiz isso com sucesso e aqui no Brasil não vai ser diferente”. A médica ainda acrescentou, “eu quero que o povo brasileiro me aceite como profissional que sou”.

O programa foi lançado em julho de 2013 pelo governo, para complementar as equipes médicas com o intuito de suprir a carência nos municípios do interior e nas periferias de algumas cidades do Brasil, onde há ausência e escassez de profissionais.

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(Foto: Marcos Campos – Arquivo pessoal)

 

Jéssica  Almeida